Objectivos da SPPI

  • Promover o estudo e prática da prevenção e tratamento das doenças do periodonto e suas consequências;
  • Estimular a realização e publicação de trabalhos de revisão e investigação entre os seus membros;
  • Contribuir para a manutenção de um nível elevado de prática da periodontologia entre os profissionais da medicina oral, nomeadamente entre os membros da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária.

DIRECÇÃO

Presidente
Susana Noronha

Presidente Cessante
Ricardo Faria e Almeida

Vice-Presidentes
Cristina Trigo Cabral
Orlando Martins

Secretários
Francisco Brandão de Brito
Tony Rolo

Tesoureiro
Alexandre Santos

Representante EFP

Ricardo Faria e Almeida

ASSEMBLEIA GERAL

Presidente
Helena Rebelo

1º Secretário
Sérgio Matos

2º Secretário
Patrícia Almeida Santos

CONSELHO FISCAL

Presidente
Paulo Mascarenhas

1º Secretário
Inês Faria

2º Secretário
João Branco

História da SPPI

Nos anos 60 e 70 a Periodontologia era ainda muito mal compreendida em Portugal. Estava muito dirigidas para teorias e crenças mecanicistas em que a oclusão era o grande factor etiológico e o ajuste oclusal e a ferulização dos dentes com mobilidade os tratamentos de eleição.

Um dos factores mais relevantes para a modificação deste paragdigma foi a influência dos Professores de Periodontologia da Universidade de Bergen, Noruega, que vieram a Portugal de forma regular durante o período em que o Estado Noruguês, mais exactamente a NORAD (agência governamental Norueguesa para a ajuda dos Países em desenvolvimento), financiou e apoiou cientificamente as duas primeiras escolas de Medicina Dentária em Portugal, as de Lisboa e a do Porto que mais tarde se transformariam respectivamente nas Faculdades de Medicina Dentária de Lisboa e do Porto.

De facto, os Prof. Doutores Tore Kristoffersen, Tryggve Liee Knut Meyer fizeram um trabalho extraordinário ao apresentarem aos docentes da altura, assim como aos alunos de ambas as escolas, os princípios biológicos da real etiologia das doenças periodontais, perante a estupfacção de alguns. Os Professores de Periodontologia de ambas as escolas, os Prof. Doutores Eurico de Freitas e Manuel Figueiredo aproveitaram muitos desses conteúdos para enriquecerem ainda mais as suas aulas.

Um outro docente Norueguês com grande influência foi o Prof. Doutor Jon Silness, Regente de Prótese Fixa em Bergen, mas alguém com um “background” periodontal muito profundo e bem fudamentado em investgação, alguma dela feita por ele próprio. Para todos aqueles que estão minimamente dentro da literatura periodontal, conhecerão os Índices Gengival (GI) de Löe e Silness e o de placa (PI)de Silness e Löe. Embora desenvolvidos e publicados nos anos 60s, estes índices ainda hoje são de grande utilidade. Como este Professor ensinava prótese fixa e removível e era precisamente nesses departamentos que se encontravam os maiores peritos em oclusão, o Professor Siness teve a possibilidade de influenciar esses docentes sobre a real importância da oclusão no desenvolvimento das doenças periodontais. Também a sua influência foi notada na maior colaboração entre os departamentos de Prótese e de Periodontologia. Os planos de tratamento clínicos passaram a realizar-se de um modo diferente, mais biológico e tendo a Periodontologia tomado uma importância muito mais efectiva na preparação dos tecidos antes da confecção de próteses tanto fixas como removíveis.

A influência desse grupo de docentes Noruegueses foi tal que motivou muitos dos Professores Portugueses, de ambas as escolas, a participarem em estágios em Bergen. Também alguns alunos dessa época sentiram o “chamamento periodontal” e acabaram por ir para Bergen para fazerem um pós-graduação de três anos que,naquela altura, caso fosse feito de modo muito intensivo, poderia ser finalizado em dois, como foi o caso do recém licenciado Gil Alcoforado que terminou o seu curso de Periodontologia em Julho de 1983. Após o seu regresso, a Periodontologia passou a ser mais representada em muitos congressos nacionais.

Entretanto, outros dois factores tiveram grande impacto a nível Nacional. O primeiro diz respeito a um curso realizado em Aveiro no ano 1980 onde foram palestrantes os Prof. Doutores JC Harter e JF Teccucianu. Estes dois Professores apresentaram um curso muito inovador para época, fazendo um “mano-a-mano”e mostrando como a Periodontologia e a Prótese Fixa podiam ser abordadas de um modo complementar. Foi um curso que marcou muitos clínicos e deixou raízes para que a Periodontologia começasse a ser considerada como essencial para todo o Clínico que se dedicasse de uma forma séria à prótese fixa.

O outro factor foi a radicação em Portugal do Professor Robert Davis, vindo dos Estados Unidos onde era Professor na Universidade de Nova Yorque, Stony Brook.O Professor Davis passou a residir em Lisboa e intregrou, de imediato, as fileiras de docência na então ESMDL. Também ele deu uma enorma ajuda no ensino da Periodontologia na então escola para além de fazer alguma prática privada. Pela primeira vez em Portugal, um Clínico limitava a sua prática cliníca exclusivamente à Periodontologia.

Até então, havia alguma tradição no envio de pacientes a outros Colegas de outras especialidades. As únicas sub-especialidades que recebiam doentes referidos resumiam-se, essencialmente à Ortodontia, Odontopediatria, Cirurgia e Mediciana Oral. Nessa altura, começou a haver, embora de um modo muito tímido, o envio para os Colegas especialistas em Periodontologia. Começou-se a ouvir nos corredores dos congressos alguns Colegas que diziam já não quererem trabalhar sem a ajuda de um Periodontologia pois, para além de lhes facilitar o trabalho a nível de preparação dos tecidos periodontais para prótese fixa e outros trabalhos restauradores, começavam a ver que a longevidade e a qualidade dos seus trabalhos aumentava consideravelmente.

Começou a tornar-se óbvia a necessidade de uma organização que se dedicasse exclusivamente à Periodontologia. O Colega Gil Alcoforado angariou uma série de figuras notáveis da Estomatologia e Medicina Dentária e reuniram-se numa tarde de Verão na sede da SPEMD em Lisboa para lançarem as primeiras pedras daquilo que se tornaria a Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes. Foram eles os Prof. Doutores José Joaquim Fontes Pereira de Melo, Alberto Oliveira Pinto, Manuel Figueiredo e Eurico de Freitas. Para que a Sociedade singrasse no seio da Estomatologia e da recém criada Medicinda Dentária, foi escolhido alguém para Presidente com grande prestígio no seio clínico e académico de ambas as Classes, fugindo-se à escolha do então único especialista em Periodontologista, por ser muito novo e Médico Dentista, o que poderia trazer grandes problemas ao artranque da futura SPPI. Assim, foi escolhido o Prof. Doutor José Joaquim Fontes Pereira de Melo. O novo Presidente deu uma contribuição muito valiosa na expansão da recentemente criada SPPI e ajudou a chamar tanto Médicos Estomatologistas comoMédicos Dentistas a fazerem parte das fileiras da SPPI.

A SPPI foi criada por escritura pública pouco depois, embora tendo ficado sob a égide da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD). No ano seguinte, e durante a realização do Congresso Anual da Sociedade Francesa de Periodontologia, foi organizada a primeira reunião oficial daquilo que viria a ser a Federação Europeia de Periodontologia (EFP). Este congresso foi realizado em Marrakech, Marrocos e o Dr. Gil Alcoforado representou a SPPI no embrião da EFP após ter sido convidado pelo Dr. Jean-Louis Giovannoli (?) a juntar-se ao pequeno grupo de Europeus presentes nesse congresso. Assim, e para a história, a SPPI foi um dos membros Fundadores da EFP.

Esse grupo era um grupo restricto e que tinha um elemento que representava a sua Sociedade Nacional de Periodontologia respectiva. O conceito da EFP baseava-se numa associação de Sociedades Nacionais. Assim, não haveria membros individuais e cada membro de uma Sociedade Nacional representada na EFP, seria parte integrante da EFP. Para melhor conhecer a evolução da EFP, poder-se-á consultar a história da EFP no seu site(www.efp.org).

Um outro grande marco acabou por influenciar a infância da SPPI foi o curso realizado em Março de 1989, no anfiteatro do IPO, em Lisboa, cuja capacidade esgotou. O curso proferido pelo Professor Sture Nyman da Universidade de Gotemburgo, Suécia, o mesmo que uns anos mais tarde iria desenvolver o conceeito biológico e cirúrgico da regeneração tissular guiada, ajudou, entre muitos outros temas, a combater o “fatasma oclusal” no aparecimento e desevolvimento das doenças periodontais. Todos aqueles que estiveram presentes nesse curso recordar-se-ão com toda a certeza de um grande debate entre o conferencista e o Sr.Professor Armando Simões dos Santos. Este debate não só se concentrou na discussão do efeito da oclusão na etiologia da periodontite mas também na completa “destruição da Lei de Ante após a apresentação pelo Professor Nyman das suas pontes apoiadas em 3 ou 4 dentes com periodontos reduzidíssimos. Foi, de facto, um curso empolgante para todos os participantes, tendo deixado marcas. Nesse curso, mais uma vez foi posto em evidência a etiologia bacteriana das doenças periodontais e a necesidade de adaptar os planos de tratamento a essa perspectiva.

Texto gentilmente escrito e cedido pelo Prof. Doutor Gil Alcoforado”